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quarta-feira, abril 16, 2014

Aceite perder


Aceitar perder é um processo tão importante quanto ganhar, todos os dias você vai passar por situações em que algo ou alguém vai te fazer perder. As vezes você só vai perceber que perdeu muito tempo depois de ter perdido e as vezes você perde pra ganhar algo muito melhor.

As pessoas dramatizam a palavra perder, acha que quem perde só perde. Aceite perder, aprenda a aceitar a perda e a conviver com ela. Você não pode fazer nada além de aceitar que as vezes você perde e tudo bem. Admita também, as vezes faz bem. Mostre a outras pessoas que tem medo de perder, que você sobreviveu a perda e que elas vão sobreviver também. Todo mundo vai perder um dia, então não tenha medo de arriscar por medo de perder. 

Motive-se a superar suas perdas, motive-se a aceitar que ganhar ou perder é parte do jogo. Pense bem: Se você começa uma partida no seu videogame, você sabe que só a dois finais para aquela batalha: ganhar ou perder. E o que você vai fazer se perder? desistir? É um jogo, agora ou depois, tanto faz, você sempre pode tentar de novo. 
Não lamente, quem muito lamenta, pouco faz. Você perdeu? Levante-se. Perdeste a batalha, não a guerra. Outras batalhas não vão esperar até que você se recomponha da anterior e se você não estiver forte para a outra, perder vai se tornar um ciclo sem fim. 

Viva, ame, beije, pule, grite, fale, brigue, chore, aprenda no amor e aprenda na dor. Vai por mim, eu aprendi a aceitar perder. Eu aprendi perdendo e o que tenho perdido desde então? Perdi o medo, perdi a insegurança, perdi a vergonha, perdi o receio, perdi o ex namorado que só me fazia mal e perdi peso também...Acredita que com todo esses benefícios, tem gente que tem medo de perder?

quarta-feira, agosto 07, 2013

Na cabeceira: Toda Mulher

Nem toda mulher deveria gostar desse meu texto. Mas toda mulher deveria ler.
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Toda mulher tem que cortar o cabelo bem curto em algum momento da sua vida. Tem de haver um desprendimento, uma renovação, um bota fora. Toda mulher tem que se permitir um penteado diferente, uma cor ousada – do vermelho fogo ao loiro desbotado –, uma espécie de licença poética mesmo que seja apenas capilar: "hoje eu me permiti ser outra pessoa".
Toda mulher precisa de um disfarce que só ela saiba que existe. Pode ser de mulher fatal, dominadora, compulsiva ou até mesmo controladora - o personagem só aparece quando ela quiser. Toda mulher, aliás, deve precisar de uma outra mulher, seja irmã, mãe, prima ou até mesmo empregada doméstica. Toda mulher precisa de vários "amores da minha vida", mas só um anel de compromisso. Toda mulher deveria experimentar um esmalte diferente a cada nova ida à manicure, fugir do pretinho básico de vez em quando e beijar quem tiver vontade, sem precisar imaginar se o cara é um sapo a ponto de virar príncipe ou não.
Na verdade, toda mulher tem que ter em sua vida um homem cafajeste. Mas que ele não dure muito, por favor! Que todas tenham um "homem caminhão de mudança", daqueles que recolhe os espaços vagos e inúteis e leva embora - junto consigo, é claro. Toda mulher tem que conviver também com um homem de bolso vazio, pois essa é uma boa forma de se valorizar o próprio dinheiro (afinal, depender de homem ninguém merece). Também é aconselhável que toda mulher tenha um romance com um cara mais novo, um jovenzinho de 18 quando ela tiver 30, ou um de 20 e poucos quando ela já estiver na casa dos 40. Nisso pode existir um resgate, e até mesmo uma confirmação de que nunca é tarde para se fazer as tais "coisas dos jovens". Afinal, ser mulher é ser atemporal.

Toda mulher deve ir dormir uma vez na vida sem se preocupar com a louça suja na pia da cozinha e no dia seguinte sair de casa sem arrumar a cama. Toda mulher tem de arriscar uma hora ou outra - seja investindo grana em um negócio próprio ou apenas mudando o pão integral pelo francês uma só vez na semana. Falando nisso, toda mulher deveria esquecer a palavra "dieta" semana sim, semana não. Dessa forma dosadora surge um perfeito equilíbrio, não?

Toda mulher deve esperar flores. Toda mulher deve fazer algo para que possa esperar flores.
Toda mulher deve sair para se divertir com as amigas, toda mulher tem de ter um amigo gay. Toda mulher tem que ser mais corajosa que o "homem da casa", toda mulher tem direito de não gostar de rosa e filme de romance. Toda mulher tem "aqueles dias", então, por favor, afaste-se! Toda mulher tem um sapato a mais no guarda-roupa, um batom de cada tom e alguma peça no armário na cor nude (e nem tente imaginar do que isso se trata). Toda mulher deve querer alguém, mas toda mulher tem que lembrar que é auto-suficiente e que Adão foi mero reprodutor sexual figurante.
Toda mulher, enfim, tem que se permitir, se libertar, tentar algo de diferente. E isso só começa com o principal: em algum momento da sua vida, toda mulher deveria cortar o cabelo bem curto.
E olha que eu nem sou mulher para estar afirmando.
(Para Cristiane Carvalho, que cortou o seu cabelo bem curto e inspirou esse texto. E que, a propósito, ficou linda.)
Autor: Pedro Guerra
Jornalista, blogueiro e escritor.
http://www.santacretinice.com

terça-feira, junho 11, 2013

Na cabeceira: Essas coisas do coração

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Você já foi adolescente. E já se apaixonou perdidamente. E já ficou grudada no telefone esperando uma ligação. E já recebeu a ligação tão esperada. E já revirou o closet procurando uma roupa que você nunca teve. E já ficou ansiosa e nervosa e perturbada. E já chorou porque a ligação esqueceu de acontecer. Ou será que foi o paspalho que não lembrou de ligar? O fato é: você, em algum momento, já pensou ele-é-muita-areia-pro-meu-caminhão. Em contrapartida, em tantos outros momentos você já se perguntou eu-hein-como-fui-gostar-desse-cara?!? A vida, minha amiga, é uma eterna repetição. A gente repete e repete e repete, bate com a cara em uma rocha e quase se afoga nesse oceano que é a vida, mas acredite: ninguém aprende quando o assunto é o coração.

Já aconteceu comigo. Me apaixonei e reapaixonei. Me estrepei e me dei bem. E muitas vezes pensei: sou muita letra para o alfabeto desse indivíduo, muita palavra para o dicionário desse ser não-pensante. Sua mãe pode avisar, a melhor amiga pode mostrar o cartão amarelo, o mundo pode mandar você descer: uma mulher apaixonada vai além das forças. Mas a paixão acaba, é uma espécie de onda grande. Vem e te derruba, vem e dá um caldo, vem e faz você engolir água e ficar tossindo. Depois, só a sensação de falta de ar, medo de que venha nova onda forte e faça você ajoelhar no fundo do mar, arranhar o joelho e sair sangrando. A paixão faz a gente perder o biquíni com aquela onda gigante. Você fica desnorteada pensando o-que-houve e, ao mesmo tempo, procurando o biquíni e protegendo os peitos dos olhos curiosos. Paixão faz a gente fazer maluquice e um dia pensar nossa-que-maluquice.

E o amor?, você me pergunta. O amor, ah, sei lá. O amor nem dá pra definir direito. Acho que é um desejo de abraçar forte o outro, com tudo o que ele traz: passado, sonhos, projetos, manias, defeitos, cheiros, gostos. Amor é querer pensar no que vem depois, ficar sonhando com essa coisa que a gente chama de futuro, vida a dois. Acho que amor é não saber direito o que ele é, mas sentir tudo o que ele traz. É você pensar em desistir e desistir de ter pensado em desistir ao olhar pra cara da pessoa, ao sentir a paz que só aquela presença traz. É nos melhores e piores momentos da sua vida pensar preciso-contar-isso-pra-ele. É não querer mais ninguém pra dividir as contas e somar os sonhos. É querer proteger o outro de qualquer mal. É ter vontade de dormir abraçado e acordar junto. É sentir que vale a pena, porque o amor não é só festa, ele também é enterro. Precisamos enterrar nosso orgulho, prepotência, ciúme, egoísmo, nossas falhas, desajustes, nosso descompasso. O amor não é sempre entendimento, mas a busca dele. Acho que o amor não é o caminho mais fácil, pois mais fácil seria dizer a-gente-não-se-entende-a-gente-não-combina-tchau-tchau. O amor é uma tentativa eterna. E se você topar entrar nessa saiba que o amor encontrou você. Seja gentil, convide-o para entrar.

Autora: Clarissa Corrêa
Gaúcha, redatora publicitária e escritora.
http://www.clarissacorrea.com